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	<title>Sararau &#187; Resenha</title>
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	<description>Encontros com a poesia e com as literaturas africanas</description>
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		<title>Resenha de &#8220;O racismo explicado aos meus filhos&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jan 2009 01:26:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Claudia Fabiana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dicas Culturais]]></category>
		<category><![CDATA[Colaboradores]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Anderson Xavier
(O Sararau recebe mais um colaborador de peso, o professor Anderson Xavier, Mestre em Literatura Brasileira pela UFRJ. Neste primeiro texto, ele nos traz uma resenha do livro O racismo explicado aos meus filhos, de Nei Lopes, publicado em 2007 pela editora Agir.)
 
Como este é meu primeiro escrito destinado a fazer parte do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="font-size: 12px; font-weight: bold;">Por Anderson Xavier<br />
(O Sararau recebe mais um colaborador de peso, o professor Anderson Xavier, Mestre em Literatura Brasileira pela UFRJ. Neste primeiro texto, ele nos traz uma resenha do livro <em>O racismo explicado aos meus filhos, </em>de Nei Lopes, publicado em 2007 pela editora Agir.)</p>
<p> </p>
<p><img style="float: right; margin: 10px;" src="http://www.sararau.com.br/wp-content/uploads/2009/01/racismo-neilopes.jpg" alt="" width="135" height="214" />Como este é meu primeiro escrito destinado a fazer parte do <em>Sararau</em>, seguirei o conselho de Dona Ivone Lara e vou &#8220;pisar neste chão devagarinho&#8221;. Este texto não é especificamente acerca da literatura africana, contudo creio acertar a veia desse movimento acadêmico-artístico-internético.</p>
<p>Trataremos aqui de <em>O racismo explicado aos meus filhos</em>, de Nei Lopes. Isso posto, contemplamos o feliz neologismo &#8220;sararau&#8221;, pois trazemos à baila um compositor e escritor de mão cheia, que faz jus à palavra sarau; e, por ser um estudioso dos insumos culturais oriundos do continente africano, nos deixa à vontade para dispormos do vocábulo &#8220;sarará&#8221;, segundo a música, imanente a todo brasileiro de sangue crioulo.</p>
<p>É sabido que toda análise resulta em dívidas para com o analisado. Conosco não será diferente, porém nosso intuito é iluminar um consistente trabalho de investigação de nossas raízes e problemas. Por meio de um romance-ensaio, Nei Lopes faz um levantamento acerca da origem das diversas formas de manifestação racista, focando principalmente aquela que vitimiza o negro.O núcleo do livro é a família do historiador Paulão (negro) e da Doutora Lia (judia). O casal tem dois filhos, brancos como a mãe, apresentando traços étnicos do pai, sendo assim sararás. O enredo se concentra em diálogos travados entre os membros dessa família, nascidos das experiências de cada um.</p>
<p>As conversas são comandadas quase sempre pelo professor Paulão que faz verdadeiras palestras, enriquecendo o conteúdo do texto. No entanto, se pensarmos a construção de um romance, constataremos que as conversas tateiam o inverossímil, quando consideramos os temas abordados e o modo como são travados tais diálogos.</p>
<p>Se encaramos o livro como um ensaio acerca da existência humana e uma de suas mais delicadas questões, o racismo, perceberemos um texto refinado e com uma preocupação ética que deveria fazer parte não só das palestras de Paulão, mas de toda e qualquer assembléia, seja futebolística, política ou sambista.</p>
<p>O livro é composto por 16 capítulos que abordam desde o criticismo ao &#8220;racismo cientifico&#8221; do século XIX até uma das polêmicas do século XXI: &#8220;a questão das cotas&#8221;. Nei Lopes faz crítica e literatura em um projeto eticamente eficaz e eficiente, com algumas dívidas estéticas.</p>
<p><em>O racismo explicado aos meus filhos</em> pode apresentar problemas estéticos, contudo presta um serviço incomensurável ao povo brasileiro. Pela composição pluriétnica da família de Paulão, podemos percebê-la como um retrato do Brasil. Sendo assim, o professor explica a todos nós, brasileiros (seus filhos), a dor que é o racismo. Por meio da investigação das origens das questões étnicas, Nei Lopes nos oferece um significativo cabedal de informações sobre nossa gente, de modo genuíno e verdadeiro.</p>
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