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	<title>Sararau &#187; Poesia Brasileira</title>
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	<description>Encontros com a poesia e com as literaturas africanas</description>
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		<title>Elisa Lucinda e a Casa Poema</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Jan 2009 23:50:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Claudia Fabiana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação pela Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia Brasileira]]></category>

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		<description><![CDATA[Estou de férias desde as vésperas do Natal e só agora volto a escrever no Sararau e a pensar em projetos no novo ano.. Tenho caminhado todos os dias, respirando o verão e observando belas e diversas paisagens do Rio: a orla da zona sul, a arquitetura e o movimento do Centro, as miudezas do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.sararau.com.br/wp-content/uploads/2009/01/img_1997.jpg"><img style="float: left; margin: 10px;" src="http://www.sararau.com.br/wp-content/uploads/2009/01/img_1997-225x300.jpg" alt="" width="225" height="300" /></a>Estou de férias desde as vésperas do Natal e só agora volto a escrever no Sararau e a pensar em projetos no novo ano.. Tenho caminhado todos os dias, respirando o verão e observando belas e diversas paisagens do Rio: a orla da zona sul, a arquitetura e o movimento do Centro, as miudezas do Saara, os labirintos do Grajaú, a lua cheia nos casarios de Santa Teresa, a Lagoa com olhar a 360˚, o bairro da Urca, a minha própria rua. Ainda ontem fui à <strong><em>Casa Poema</em></strong>, bem aqui ao lado. Descobri o lugar no ano passado e há muito me prometia passar por lá para conhecê-lo.</p>
<p>A <em>Casa Poema </em>abriga a<em> Escola Lucinda de Poesia Viva, </em>criada pela poeta e atriz Elisa Lucinda em 1998. Ela oferece cursos e oficinas de poesia falada para adultos e crianças durante todo o ano. A idéia é mostrar que a poesia está no cotidiano e ler, falar um poema pode ser muito prazeroso e enriquecedor. Juliana Garcia, uma das professoras da equipe de Elisa, conversou comigo durante a minha visita e reforçou a proposta da escola: &#8220;Falar poesia sem ser chato&#8221;. E comentou que além das aulas despertarem situações curiosas de aprendizado, os recitais organizados ao final de cada curso são sempre motivadores de novas experiências. Há aqueles que sempre dizem em tom de descoberta: &#8220;Mas poesia é legal mesmo!&#8221;</p>
<p>A falsa idéia de que poesia é algo chato vem principalmente de uma educação desvinculada da realidade e do prazer de ler e de estudar. Metodologias ultrapassadas, aulas descomprometidas com a formação intelectual e raros acessos aos bens culturais, tanto por alunos quanto por professores, são alguns dos fatores que contribuem para o afastamento da poesia das escolas e da vida. É certo que há aqueles que gostam mais do gênero e outros não. Contudo, todos deveriam experimentar, certamente há prazeres a serem descobertos.. Eu, por exemplo, nunca vou me esquecer da minha avó preparando o almoço e eu sentada na mesa da cozinha lendo Fernando Pessoa. Ela balançava a cabeça toda vez que discordava de um verso, e depois falava de cor &#8221;O pássaro cativo&#8221;, de Olavo Bilac. Quanto ensinamento em uma simples manhã da minha adolescência..</p>
<p>Fiquei surpresa quando descobri uma afinidade de Elisa Lucinda com o poema de Bilac. Ela conta essa e outras histórias em uma conversa com Rubem Alves sobre poesia e educação, publicada recentemente pela editora Papirus, no livro chamado <em>A poesia do encontro </em>(2008). O bate papo dos dois percorre veredas poéticas que nos ensinam caminhos novos e nos fazem recuperar estradas antigas. O livro traz ainda um DVD do encontro, o filme &#8220;Poesia à vista&#8221;, que serve inclusive como material didático.</p>
<p>Para quem não conhece a poesia de Elisa Lucinda, posso dizer que ela é também outra experiência de encontro e renovação. Desde o seu poema &#8220;Aviso da lua que menstrua&#8221;, que me foi apresentado pela Cinda, professora especial da graduação, e que vibra na voz da minha amiga Fabiana, admiro o trabalho da poeta, sua linguagem e seu compromisso com a transformação. Entre os livros publicados estão <em>O semelhante </em>(1994), <em>Eu te amo e suas estréias </em>(2003) e <em>A fúria da beleza </em>(2006).</p>
<p>Enfim, aí estão as primeiras dicas de 2009. A Casa Poema, Escola Lucinda de Poesia Viva fica na Rua Paulino Fernandes, 15. Há workshops que acontecerão na última semana de janeiro. O site da casa é <a href="http://www.escolalucinda.com.br/">www.escolalucinda.com.br</a> . Lá você encontra outras informações e todo um histórico do trabalho de Elisa Lucinda e sua equipe. E.. para ficar um gostinho de quero mais, ouça &#8220;O poema do semelhante&#8221;, faixa do CD &#8220;O semelhante&#8221;, em download a partir do site da Escola Lucinda.</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="320" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="flashvars" value="thumbsinplaylist=true&amp;width=320&amp;height=340&amp;file=http://sararau.podOmatic.com/xspf_stream.xml&amp;autoscroll=false&amp;displayheight=240&amp;searchbar=false" /><param name="src" value="http://www.podomatic.com/swf/mediaplayer.swf" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="320" height="340" src="http://www.podomatic.com/swf/mediaplayer.swf" flashvars="thumbsinplaylist=true&amp;width=320&amp;height=340&amp;file=http://sararau.podOmatic.com/xspf_stream.xml&amp;autoscroll=false&amp;displayheight=240&amp;searchbar=false"></embed></object></p>
<div style="text-align: center;"><a href="http://sararau.podOmatic.com" target="sararau"><img src="http://www.podomatic.com/images/share/player_logo.jpg" border="0" alt="" /></a></div>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.gigyamailbutton.com/wildfire/gigyamailbutton.ashx?url=aHR*cDovL3d3dy5naWd5YS5jb2*vd2lsZGZpcmUvd2Zwb3AuYXNweD9tb2R1bGU9ZW1haWwmdXJsPWh*dHAlM*ElMkYlMkZ3d3clMkVwb2RvbWF*aWMlMkVjb2*lMkZwb2RjYXN*JTJGZW1iZWQlMkZzYXJhcmF1" target="_blank"><img class="aligncenter" src="http://cdn.gigya.com/wildfire/i/includeShareButton.gif" border="0" alt="" width="60" height="20" /></a><img style="visibility: hidden; width: 0px; height: 0px;" src="http://counters.gigya.com/wildfire/IMP/CXNID=2000002.0NXC/bT*xJmx*PTEyMzI*MDcwMzQ5ODQmcHQ9MTIzMjQwNzE5MDE*MCZwPTg*NjgxJmQ9Jmc9MSZ*PSZvPThjZDg2NWNiOGFlODQwOGZhMDgxM2RlZGI1N2U2OTg5.gif" border="0" alt="" width="0" height="0" /></p>
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		<title>Ganzás poéticos em Recife</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Dec 2008 14:35:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Claudia Fabiana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ensaios em Trânsito]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia Brasileira]]></category>

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		<description><![CDATA[Durante os quatro dias em que estive em Porto de Galinhas, no início do mês de novembro, procurei pelo maracatu e não o encontrei. Era inconcebível, pra mim, ir a uma &#8220;festa literária&#8221; em Pernambuco e não ouvir um maracatu ou não dançar uma ciranda.  No fim da tarde de domingo, antes de voltar ao Rio, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Durante os quatro dias em que estive em Porto de Galinhas, no início do mês de novembro, procurei pelo maracatu e não o encontrei. Era inconcebível, pra mim, ir a uma &#8220;festa literária&#8221; em Pernambuco e não ouvir um maracatu ou não dançar uma ciranda.  No fim da tarde de domingo, antes de voltar ao Rio, fui atrás dos tambores e dos abês em Recife. Os deuses confabularam sempre em meu favor e entre tantas pessoas maravilhosas que estiveram comigo em Porto, eles me apresentaram à professora Noemi Araújo, com quem fui à cidade evocada por Manuel Bandeira. A cidade dos poetas, sem sombra de dúvida.</p>
<p>Misturados aos sons das alfaias vindos de praças e esquinas, os poetas vão tocando seus ganzás literários, são erês que circulam entre as gentes e brincam e riem e falam coisas sérias. Conheci pelas mãos de Noemi um em especial, irradiando luz nas andanças que fizemos pelas ruas de Recife: Jomard Muniz de Britto. <span id="more-175"></span></p>
<p><img style="float: left; margin: 10px;" src="http://www.sararau.com.br/wp-content/uploads/2008/12/jomard-225x300.jpg" alt="" width="225" height="300" /> Mas como falar de Jomard? Difícil, pois ele é como o maracatu, por mais que se tente defini-lo, só estando bem próximo do batuque para sentir o ritmo pulsar nas batidas do coração. É preciso ler e ouvir Jomard, é preciso degustar Jomard, com ou sem manifestos verdes, azuis ou vermelhos. Já sinto saudades dele e de seus &#8220;atentados poéticos&#8221;, distribuídos às mais diferentes gentes, há muito tempo&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. Ele é multi muita coisa desde os anos 60: professor, intelectual, engajado, escritor, performático, cineasta, agitador cultural, poeta.. Seus textos, de inúmeras linguagens, falam de um mundo em retalhos, é o contemporâneo fragmentado e por vezes (quase) inteiro, tornado em colcha. Sua &#8220;obra-em-processo&#8221; está sempre, porque, como já escreveu o próprio JMB, &#8220;poeticidade é o nômade&#8221;. </p>
<p> Alguns de seus trabalhos podem ser conhecidos através do endereço <a href="http://www.myspace.com/jomardmuniz">www.myspace.com/jomardmuniz</a> . Lá na seção Sararau deixo o atentado que recebi naquela noite de domingo, noite de maracatu, de &#8220;zabumba de bombos&#8221;, de &#8220;estouro de bombas&#8221;, que me fez lembrar poetas, pernambucanos, Bandeira, Jomard, e o Ascenso, quando pergunto e respondo, com este, &#8220;Luanda, Luanda, onde estou?&#8230; Luanda, Luanda, onde estás?&#8230; Cantigas de banzos, Rangir de ganzás&#8230;.&#8221;</p>
<p>_______<br />
<span style="font-size: 10px;">Foto: Claudia Fabiana</span></p>
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		<title>Uma placa, uma rua e muita história pra contar</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Nov 2008 00:04:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Claudia Fabiana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sala de Aula]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Lei 10639/03]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia Brasileira]]></category>

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		<description><![CDATA[Cena 1:
Estudávamos o Romantismo e as gerações de poetas. O livro didático (Português: Linguagens, de Cereja e Magalhães), indicado pelo PNLEM e distribuído pelo Ministério da Educação, trazia a repetitiva seqüência: o nacionalismo de Gonçalves Dias, o ultra-romantismo de Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e Fagundes Varela, o condoreirismo de Castro Alves. No capítulo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cena 1:<br />
Estudávamos o Romantismo e as gerações de poetas. O livro didático (Português: Linguagens, de Cereja e Magalhães), indicado pelo PNLEM e distribuído pelo Ministério da Educação, trazia a repetitiva seqüência: o nacionalismo de Gonçalves Dias, o ultra-romantismo de Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e Fagundes Varela, o condoreirismo de Castro Alves. No capítulo “A poesia condoreira”, uma nota intitulada “Consciência negra” começava assim: <em>“Nas últimas décadas, os negros brasileiros perceberam que a luta iniciada por Castro Alves (ironicamente, um branco) deveria ser levada adiante.” </em>Paramos na frase. É incrível como uma só frase podia trazer tantos equívocos: a pressuposição de que Castro Alves iniciou uma luta, quando ele foi um entre tantos abolicionistas; a idéia de que apenas nas últimas décadas os negros perceberam que deveriam lutar por liberdade, justiça e afirmação de seus valores, quando resistiram desde sempre, desde que foram forçados a sair de suas terras africanas; o próprio discurso do preconceito entre os parênteses. </p>
<p>Após muitos questionamentos, apresentei brevemente para a turma o poeta Luiz Gama, contemporâneo de Castro Alves, mas que sequer é citado nos manuais didáticos. Filho de um português e de Luísa Mahin &#8211; africana da nação Nagô, desaparecida por se envolver com causas de libertação de escravos, como a Revolta dos Malês -, Luiz Gama foi advogado, abolicionista, escritor e deixou uma contribuição riquíssima para a história e a cultura brasileiras. Ora, diferente do que o livro dizia, inúmeras produções de negros e mulatos marcaram também o século XIX e o período enquadrado como ‘romântico’.</p>
<p>Cena 2:<br />
Foi aí que um aluno lembrou: “Professora, o nome da rua aqui do lado da escola é Luiz Gama”. Fantástico, pensei. Daí sairia o trabalho que eu pedi que fizessem. Será que as pessoas que circulam por essa rua sabem quem foi Luiz Gama? E os alunos do Ferreira Viana, que ficam nas calçadas nos intervalos, “de bobeira” como diziam, já teriam se perguntado sobre quem foi aquele que dá nome à rua? Talvez algum morador soubesse, talvez.</p>
<p>A turma deveria então: pesquisar sobre a vida e a obra de Luiz Gama e fazer um vídeo com a rua como mote para apresentação do poeta. O trabalho envolveria toda a turma, sendo avaliada também a capacidade de pensarem em grupo e de administrarem conflitos, respeitando as diferenças de opiniões. O vídeo seria apresentado na Semana de Tecnologia da escola.</p>
<p>Cena 3:<br />
O trabalho foi feito com prazer pelos alunos. Aprenderam juntos, no diálogo e na divisão de tarefas. Aprenderam se divertindo. Descobriram que em espaços fora dos muros da escola se pode aprender muito, às vezes nem tão longe assim, como a rua ali do lado. Descobriram novos sentidos para a rua dos que matam aula, para a escola e para a vida. O vídeo foi exibido esta semana, no evento de tecnologia da escola. Vejam o resultado do filme &#8220;Rua Luiz Gama&#8221;, também disponível no Youtube.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ezZxlgElC0g&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/ezZxlgElC0g&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object></p>
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