Elisa Lucinda e a Casa Poema

Estou de férias desde as vésperas do Natal e só agora volto a escrever no Sararau e a pensar em projetos no novo ano.. Tenho caminhado todos os dias, respirando o verão e observando belas e diversas paisagens do Rio: a orla da zona sul, a arquitetura e o movimento do Centro, as miudezas do Saara, os labirintos do Grajaú, a lua cheia nos casarios de Santa Teresa, a Lagoa com olhar a 360˚, o bairro da Urca, a minha própria rua. Ainda ontem fui à Casa Poema, bem aqui ao lado. Descobri o lugar no ano passado e há muito me prometia passar por lá para conhecê-lo. A...

Ganzás poéticos em Recife

Durante os quatro dias em que estive em Porto de Galinhas, no início do mês de novembro, procurei pelo maracatu e não o encontrei. Era inconcebível, pra mim, ir a uma "festa literária" em Pernambuco e não ouvir um maracatu ou não dançar uma ciranda.  No fim da tarde de domingo, antes de voltar ao Rio, fui atrás dos tambores e dos abês em Recife. Os deuses confabularam sempre em meu favor e entre tantas pessoas maravilhosas que estiveram comigo em Porto, eles me apresentaram à professora Noemi Araújo, com quem fui à cidade evocada por Manuel Bandeira. A...

Uma placa, uma rua e muita história pra contar

Cena 1: Estudávamos o Romantismo e as gerações de poetas. O livro didático (Português: Linguagens, de Cereja e Magalhães), indicado pelo PNLEM e distribuído pelo Ministério da Educação, trazia a repetitiva seqüência: o nacionalismo de Gonçalves Dias, o ultra-romantismo de Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e Fagundes Varela, o condoreirismo de Castro Alves. No capítulo “A poesia condoreira”, uma nota intitulada “Consciência negra” começava assim: “Nas últimas décadas, os negros brasileiros perceberam que a luta iniciada por Castro Alves...