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	<title>Sararau &#187; Moçambique</title>
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	<description>Encontros com a poesia e com as literaturas africanas</description>
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		<title>O papel da literatura em Angola e Moçambique</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Nov 2008 17:43:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Claudia Fabiana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literaturas Africanas]]></category>
		<category><![CDATA[Angola]]></category>
		<category><![CDATA[Fliporto]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Já falei de inúmeros encontros na Fliporto, mas um deles foi realmente especial. Em uma das mesas de encerramento, a reunião dos moçambicanos Marcelino Santos, Luís Carlos Patraquim e Paulina Chiziane e dos angolanos Pepetela, João Melo e Amélia Dalomba foi emocionante. Com um moderador competente, o professor Patrick Chabal, da King´s College London, a conversa destacou aproximações entre as literaturas angolana e moçambicana e homenagens especiais a Marcelino Santos e Pepetela. Na verdade, mais uma vez por conta do tempo, os escritores versaram sobre uma única questão: <em>&#8220;Qual é o papel da literatura?&#8221;</em></p>
<div style="float: left; margin: 10px; text-align: center; font-style: italic;"><img src="http://www.sararau.com.br/wp-content/uploads/2008/11/pepemarc2-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /><br />
Marcelino Santos e Pepetela</div>
<p>Marcelino Santos lembrou de José Craveirinha e disse que os moçambicanos vêm &#8220;de uma nação que ainda não existe&#8221;. Leu, então, seu poema &#8220;É preciso plantar&#8221; (na íntegra na seção Sararau).</p>
<p>Pepetela recorda a geração de Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Viriato da Cruz, Antonio Jacinto, Marcelino, &#8220;aqueles que inventaram essa coisa de libertação nacional&#8221;.</p>
<p>Paulina Chiziane também volta à Craveirinha e à poesia que transformou algo nela. &#8220;A literatura da geração de Craveirinha e Marcelino Santos fizeram a mim&#8221;, diz. E continua: &#8220;Eles colocaram a pedra do edifício da nação. Foi aí que pensei que deveria falar do que há no interior das casas, dos relacionamentos humanos.&#8221; Sobre o papel da sua literatura fala com sabedoria: &#8220;Só se conhece a altura da palma depois que morre. Talvez, quando eu cair, alguém diga ‘a literatura dela serviu pra isso&#8217; &#8220;.</p>
<p><span id="more-118"></span></p>
<p>Para Patraquim, <em>Mayombe</em>, de Pepetela,<em> </em>foi sua obra de referência. A narrativa o fez pensar melhor sobre a luta pelas independências porque falava de dentro dela. &#8220;A literatura teve um papel fundamental nas consciências nacionais. E o processo ainda não acabou. Agora são outras lutas e a poesia continua a ser de combate&#8221;, afirma o poeta.</p>
<p>Amélia Dalombe também fala de <em>Mayombe </em>e diz que &#8220;sonhava um dia ser Ondina&#8221;. Queria ser capaz de caminhar com suas próprias pernas e que seus sentimentos se colocassem em causa. &#8220;A literatura lado a lado com todas as outras formas de luta é a grande impulsionadora da nossa liberdade&#8221;, conclui.</p>
<p>Por fim, João Melo destaca que o papel da literatura muda com as mudanças, sociais, políticas, culturais. Faz uma crítica à falsa idéia de que faltava à literatura engajada uma depuração formal e estética. &#8220;A poesia revolucionária exige uma estética revolucionária&#8221;, afirma. O primeiro contato que teve com a poesia foi com a <em>Antologia da poesia negra de expressão portuguesa</em>, organizada por Mário Pinto de Andrade. Para ele, é preciso lembrar que a literatura é sobretudo linguagem e &#8220;não se pode perder a ligação com a realidade&#8221;.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-134 aligncenter" src="http://www.sararau.com.br/wp-content/uploads/2008/11/mesafliporto1-300x139.jpg" alt="" width="300" height="139" /></p>
<p>_____________<br />
<span style="font-size: 10px;">Fotos: Claudia Fabiana</span></p>
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		<title>Paulina Chiziane e a metáfora do véu</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Nov 2008 13:45:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Claudia Fabiana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estórias e Escritores]]></category>
		<category><![CDATA[Literaturas Africanas]]></category>
		<category><![CDATA[Fliporto]]></category>
		<category><![CDATA[Moçambique]]></category>

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		<description><![CDATA[Paulina Chiziane marcou sua forte presença na Fliporto. Mesmo com um tempo reduzido de fala, problema recorrente nas mesas, a escritora moçambicana conseguiu elevar o debate e apresentar um pouco da sua experiência como contadora de estórias. A primeira lição que aprende, diz ela, vem da máxima popular &#8220;Quem conta um conto aumenta um ponto&#8221;. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="float:left" src="http://www.sararau.com.br/wp-content/uploads/2008/11/paulina-207x300.jpg" alt="" hspace="10" vspace="10" width="186" height="270" />Paulina Chiziane marcou sua forte presença na Fliporto. Mesmo com um tempo reduzido de fala, problema recorrente nas mesas, a escritora moçambicana conseguiu elevar o debate e apresentar um pouco da sua experiência como contadora de estórias. A primeira lição que aprende, diz ela, vem da máxima popular &#8220;Quem conta um conto aumenta um ponto&#8221;. A questão estava exatamente em &#8220;que ponto acrescentar depois de tudo o que inúmeros outros escritores já fizeram&#8221;. E pensa: &#8220;Primeiro preciso conhecer o que se conta. E o que se conta foi construído basicamente pelo masculino. Depois preciso tirar o véu. Eu tiro o véu quando faço as minhas leituras. Por fim vou ficar com a minha tradição oral.&#8221;</p>
<p>Tirar o véu é uma prática constantemente necessária, afirma Paulina. Desde o primeiro acesso que tem da escrita, com a Bíblia sagrada, percebe que havia algo de errado quando lia o livro de Gênesis e encontrava ali um Adão negro e várias Evas. Faltava algo nessa escrita feita por homens, que &#8220;quando enumeram a mulher, falam do seu ponto de vista&#8221;, muitas vezes apresentando-a como um corpo-objeto. Em tom provocativo-reflexivo, Paulina lança uma pergunta aos integrantes da mesa, todos homens: &#8220;Que direito têm os artistas de me despirem em literatura?&#8221;</p>
<p><span id="more-95"></span></p>
<p>Alguns apelaram para o romantismo como saída, mas o fato é que Chiziane não faz um discurso feminista rotulado, para ela &#8220;o que está em causa é a desigualdade das relações entre as pessoas&#8221;.  Por isso, desde o seu primeiro livro, <em>Balada de amor ao vento (1990)</em>, problematiza um cotidiano africano cheio de tradições e relações injustas entre homens e mulheres.</p>
<p>As próprias mulheres sustentam muitos preconceitos, lembra Paulina. Como exemplo, &#8220;a letra da canção da mulher moçambicana, escrita por mulheres, mas que coloca a mulher em condição subalterna&#8221;.  Daí a necessidade de &#8220;tirar o véu&#8221;, como reforça a todo instante.</p>
<p> </p>
<p>Um trecho de <em>Niketche: uma história de poligamia (2002)</em>. Com ele, Paulina Chiziane ganha o prêmio José Craveirinha, em 2003. É o único romance da escritora até agora publicado no Brasil, em 2004, pela Companhia das Letras. Para Paulina, o sucesso de <em>Niketche</em> talvez esteja exatamente na &#8220;descoberta do feminino&#8221;.</p>
<p><em>&#8220;Meu Deus, ajuda-me a descobrir a alma e a força do meu rio. Para fazer as águas correr, os moinhos girar, a natureza vibrar. Para trazer ao meu leito a luz de todas as estrelas do firmamento e deixar o arco-íris mergulhar-me em toda a sua imensidão.<br />
</em><em>Sou um rio. Os rios contornam todos os obstáculos. Quero libertar a raiva de todos os anos de silêncio. Quero explodir com o vento e trazer de volta o fogo para o meu leito, hoje quero existir.&#8221;</em></p>
<p>_________<br />
<span style="font-size:10px;">Foto: Claudia Fabiana</span></p>
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