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	<title>Sararau &#187; Homenagem</title>
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	<description>Encontros com a poesia e com as literaturas africanas</description>
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		<title>Uma homenagem a Michel Laban</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Nov 2008 00:21:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Claudia Fabiana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literaturas Africanas]]></category>
		<category><![CDATA[Homenagem]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>O Sararau acaba de receber a notícia do falecimento nesta terça-feira, em Paris, do professor Michel Laban, grande pesquisador das Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, com uma obra de referência na área, como a série <em>Encontro com escritores &#8211; Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau</em>, em um total de 9 volumes. Há algum tempo, dedicava-se também à elaboração de um dicionário de regionalismos e de neologismos de inúmeros escritores estudados. Parte desse trabalho vinha sendo publicada em revistas e periódicos. Em um desses momentos, encontramos, por exemplo, os sentidos dados por José Craveirinha à palavra <em>belecar. </em>Vejam:</p>
<p><span id="more-165"></span></p>
<p>&#8221; <strong><em>belecar:</em></strong><em> v. tr. dir. José Craveirinha, Karingana ua Karingana [1ª ed.] p. 75: &#8220;mamana Saquina beleca o filho&#8221;  «</em><em>K</em><em>Beleca:</em><em> costume tradicional de levar os bébés às costas ou na ilharga. (Para &#8220;belecar&#8221; há um pano especial que se vende nas &#8220;cantinas&#8221;, que é mais resistente. Também se utiliza a própria &#8220;capulana&#8221;.) Assim, o filho vive o dia-a-dia da mãe. Ela não o larga durante os serviços: quando está a &#8220;fazer a machamba&#8221;, quando está a cozinhar, leva-o às costas. Só faz um movimento para dar de mamar. Ela não o entrega a uma criada, não o põe num berço&#8230; O filho cresce ligado à mãe. Diz-se que aquele que não foi &#8220;belecado&#8221; não sai bom filho, porque não sentiu, não respirou as costas da mãe. Quando há um mulato que tem o preconceito de ter a mãe preta, diz-se-lhe: &#8220;Não sabes o que perdeste, por isso é que és assim &#8211; não foste belecado&#8221;&#8230; Isto é: perdeu o sentido de filho de uma mãe negra que tinha as suas próprias costas, a sua própria carne, para lhe dar uma identidade. (&#8230;)» </em><strong>&#8221; </strong>(In: Laban, 2002.)</p>
<p>A respeito desse inventário de expressões, Michel Laban ressaltou, no mesmo artigo, também o valor antropológico de certas definições, como essa de Craveirinha, pois fala de <em>&#8220;um mundo composto de várias raízes&#8221;, &#8220;em que alguns mulatos se voltaram inteiramente para o pai branco enquanto outros, como o poeta Craveirinha, não quiseram esquecer a mãe negra&#8230;&#8221;. </em> </p>
<p>Enfim, o destaque para um dos últimos trabalhos do professor Michel Laban apenas reforça a vasta contribuição desse grande investigador que foi &#8220;belecado&#8221; pelas literaturas africanas. <strong>Prestamos aqui nossa homenagem.</strong></p>
<p>Artigo citado: Laban, Michel. &#8220;Reflexões sobre a elaboração de um inventário das particularidades do português de Moçambique através da literatura&#8221;. In: Revista Veredas n˚ 3, 2002.</p>
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