Entrevista com Pepetela

No fim de tarde do dia 8 de novembro, em Porto de Galinhas, conversei com Pepetela sobre seu último livro O quase fim do mundo, lançado esse ano pela editora Dom Quixote. Quando comecei a ler o romance, não consegui mais parar. É leitura agradável e reflexiva, que mostra a força da narrativa de Pepetela. Nosso encontro em Porto foi outro prazer. Falamos um pouco de tudo: literatura, cinema, política, temas contemporâneos etc. Veja aqui a entrevista.   CF - O que o inspirou a dar a sua versão para o tema "fim do mundo"? Pepetela - A idéia surgiu de uma conversa...

O papel da literatura em Angola e Moçambique

Já falei de inúmeros encontros na Fliporto, mas um deles foi realmente especial. Em uma das mesas de encerramento, a reunião dos moçambicanos Marcelino Santos, Luís Carlos Patraquim e Paulina Chiziane e dos angolanos Pepetela, João Melo e Amélia Dalomba foi emocionante. Com um moderador competente, o professor Patrick Chabal, da King´s College London, a conversa destacou aproximações entre as literaturas angolana e moçambicana e homenagens especiais a Marcelino Santos e Pepetela. Na verdade, mais uma vez por conta do tempo, os escritores versaram sobre uma única...

Tony Tcheka e a poesia da Guiné-Bissau

No último dia da Fliporto conversei um pouco com o escritor Tony Tcheka, um dos grandes nomes da literatura guineense. Tony Tcheka, de 56 anos, é um dos poetas que participa da primeira publicação de poesia na Guiné-Bissau, em 1976, em uma antologia intitulada "Mantenhas para quem luta". Junto com mais 12 poetas, chamados por Mário Pinto de Andrade de "meninos da hora de Pindjiguiti", faz naquele momento uma poesia engajada, ligada à independência da Guiné-Bissau em 1975. Foi um dos fundadores da UNAE - União dos Escritores da Guiné-Bissau, também é jornalista...

Encontros e desencontros na/da Fliporto

A Fliporto promoveu encontros e desencontros entre os dias 6 e 9 de novembro.  Se por um lado a circulação de inúmeros escritores brasileiros, africanos, latino-americanos e a presença de professores e pesquisadores da literatura contribuíram para uma série de diálogos e intercâmbios, principalmente nos bastidores, a ausência de um público maior de estudantes e comunidade locais esvaziou a festa.  As sessões simultâneas também foram um problema. Além disso, com o tempo curtíssimo para cada participante e a presença de moderadores muitas vezes...

Paulina Chiziane e a metáfora do véu

Paulina Chiziane marcou sua forte presença na Fliporto. Mesmo com um tempo reduzido de fala, problema recorrente nas mesas, a escritora moçambicana conseguiu elevar o debate e apresentar um pouco da sua experiência como contadora de estórias. A primeira lição que aprende, diz ela, vem da máxima popular "Quem conta um conto aumenta um ponto". A questão estava exatamente em "que ponto acrescentar depois de tudo o que inúmeros outros escritores já fizeram". E pensa: "Primeiro preciso conhecer o que se conta. E o que se conta foi construído basicamente pelo...

Novo encontro com o canavial

"Via plantas de cana com sua cabeleira, ou crina, muita folha de cana com sua lâmina fina, muita soca de cana com sua aparência franzina, e canas com pendões que são as canas maninhas. Como terras de cana, são muito mais brandas e femininas. Foram terras de engenho, agora são terras de usina." (João Cabral de Melo Neto) Desembarquei no aeroporto de Recife às 6h30 da última quinta-feira, dia 6 de novembro, e fui direto para Porto de Galinhas, participar da Fliporto, "festa literária" que destacou as literaturas africanas e latino-americana. No caminho, meu primeiro...