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	<title>Sararau &#187; Educação</title>
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	<description>Encontros com a poesia e com as literaturas africanas</description>
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		<title>Uma placa, uma rua e muita história pra contar</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Nov 2008 00:04:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Claudia Fabiana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sala de Aula]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Lei 10639/03]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia Brasileira]]></category>

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		<description><![CDATA[Cena 1:
Estudávamos o Romantismo e as gerações de poetas. O livro didático (Português: Linguagens, de Cereja e Magalhães), indicado pelo PNLEM e distribuído pelo Ministério da Educação, trazia a repetitiva seqüência: o nacionalismo de Gonçalves Dias, o ultra-romantismo de Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e Fagundes Varela, o condoreirismo de Castro Alves. No capítulo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cena 1:<br />
Estudávamos o Romantismo e as gerações de poetas. O livro didático (Português: Linguagens, de Cereja e Magalhães), indicado pelo PNLEM e distribuído pelo Ministério da Educação, trazia a repetitiva seqüência: o nacionalismo de Gonçalves Dias, o ultra-romantismo de Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e Fagundes Varela, o condoreirismo de Castro Alves. No capítulo “A poesia condoreira”, uma nota intitulada “Consciência negra” começava assim: <em>“Nas últimas décadas, os negros brasileiros perceberam que a luta iniciada por Castro Alves (ironicamente, um branco) deveria ser levada adiante.” </em>Paramos na frase. É incrível como uma só frase podia trazer tantos equívocos: a pressuposição de que Castro Alves iniciou uma luta, quando ele foi um entre tantos abolicionistas; a idéia de que apenas nas últimas décadas os negros perceberam que deveriam lutar por liberdade, justiça e afirmação de seus valores, quando resistiram desde sempre, desde que foram forçados a sair de suas terras africanas; o próprio discurso do preconceito entre os parênteses. </p>
<p>Após muitos questionamentos, apresentei brevemente para a turma o poeta Luiz Gama, contemporâneo de Castro Alves, mas que sequer é citado nos manuais didáticos. Filho de um português e de Luísa Mahin &#8211; africana da nação Nagô, desaparecida por se envolver com causas de libertação de escravos, como a Revolta dos Malês -, Luiz Gama foi advogado, abolicionista, escritor e deixou uma contribuição riquíssima para a história e a cultura brasileiras. Ora, diferente do que o livro dizia, inúmeras produções de negros e mulatos marcaram também o século XIX e o período enquadrado como ‘romântico’.</p>
<p>Cena 2:<br />
Foi aí que um aluno lembrou: “Professora, o nome da rua aqui do lado da escola é Luiz Gama”. Fantástico, pensei. Daí sairia o trabalho que eu pedi que fizessem. Será que as pessoas que circulam por essa rua sabem quem foi Luiz Gama? E os alunos do Ferreira Viana, que ficam nas calçadas nos intervalos, “de bobeira” como diziam, já teriam se perguntado sobre quem foi aquele que dá nome à rua? Talvez algum morador soubesse, talvez.</p>
<p>A turma deveria então: pesquisar sobre a vida e a obra de Luiz Gama e fazer um vídeo com a rua como mote para apresentação do poeta. O trabalho envolveria toda a turma, sendo avaliada também a capacidade de pensarem em grupo e de administrarem conflitos, respeitando as diferenças de opiniões. O vídeo seria apresentado na Semana de Tecnologia da escola.</p>
<p>Cena 3:<br />
O trabalho foi feito com prazer pelos alunos. Aprenderam juntos, no diálogo e na divisão de tarefas. Aprenderam se divertindo. Descobriram que em espaços fora dos muros da escola se pode aprender muito, às vezes nem tão longe assim, como a rua ali do lado. Descobriram novos sentidos para a rua dos que matam aula, para a escola e para a vida. O vídeo foi exibido esta semana, no evento de tecnologia da escola. Vejam o resultado do filme &#8220;Rua Luiz Gama&#8221;, também disponível no Youtube.</p>
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		<title>Artigo primeiro: na sala de aula</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Nov 2008 23:48:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Claudia Fabiana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sala de Aula]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Leciono a disciplina de Literatura para alunos do Ensino Médio na Escola Técnica Estadual Ferreira Viana, no bairro do Maracanã, no Rio de Janeiro; e as disciplinas de Literatura Portuguesa e Literaturas Africanas de Língua Portuguesa no curso de Licenciatura em Letras da UNIABEU, na Baixada Fluminense. A partir de hoje começo a publicar aqui [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Leciono a disciplina de Literatura para alunos do Ensino Médio na Escola Técnica Estadual Ferreira Viana, no bairro do Maracanã, no Rio de Janeiro; e as disciplinas de Literatura Portuguesa e Literaturas Africanas de Língua Portuguesa no curso de Licenciatura em Letras da UNIABEU, na Baixada Fluminense. A partir de hoje começo a publicar aqui algumas experiências da minha prática pedagógica, em especial sobre a aplicação da lei 11.645/08, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileiras e Indígenas.</p>
<p>Além de professora, sou pesquisadora das Literaturas Africanas e acredito na importância da teoria associada à pratica. Na UNIABEU, oriento projetos de extensão e, na Faetec, faço parte do Neera, Núcleo de Estudos Étnico-Raciais e Ações Afirmativas, atuando em programas de capacitação, como cursos de extensão e seminários, e participando de atividades voltadas para o debate em torno do ensino das culturas africanas e indígenas. E é recorrente, nos encontros com professores e licenciandos, percebermos uma angústia: como trabalhar em sala de aula essa lei? O que eu faço com o currículo?</p>
<p>Acredito que podemos inserir no cotidiano de nossas aulas propostas motivadoras de discussão. Entre os objetivos propostos no meu planejamento anual da Faetec estão:<br />
- ler e produzir criticamente textos que abordem a temática da diversidade e da contribuição do negro e do índio à cultura brasileira;<br />
- discutir em sala de aula questões como preconceito, racismo e intolerância à diferença;<br />
- apresentar escritores e personagens históricos afro-descendentes que, de alguma forma, contribuíram para a formação da história e da cultura brasileira.</p>
<p>Os resultados podem ser excelentes, com um pouco de criatividade e com responsabilidade social. Foi o que aconteceu este ano com a turma do Ensino Médio 2242. Veja no artigo seguinte: Uma placa, uma rua e muita história pra contar</p>
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