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	<title>Sararau &#187; Dicas Culturais</title>
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	<description>Encontros com a poesia e com as literaturas africanas</description>
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		<title>Marcelino Freire, “mar que arrebenta”</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Jan 2009 01:41:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Claudia Fabiana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dicas Culturais]]></category>
		<category><![CDATA[Estórias e Escritores]]></category>
		<category><![CDATA[Lei 10639/03]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>

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		<description><![CDATA[Ainda aproveitando as férias, estive no evento literário &#8220;Boca de Baco&#8221;, que está acontecendo aos sábados na Livraria Odeon, na Cinelância. Na estréia, além de lançamentos de livros e leituras de textos, houve uma oficina de narrativas breves com Marcelino Freire. Tive oportunidade de conversar um pouco com o escritor, já pretendia apresentá-lo aqui no Sararau e no quente dia 17 o encontro foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="float: right; margin: 10px;" src="http://www.sararau.com.br/wp-content/uploads/2009/01/img_19931-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" />Ainda aproveitando as férias, estive no evento literário &#8220;Boca de Baco&#8221;, que está acontecendo aos sábados na Livraria Odeon, na Cinelância. Na estréia, além de lançamentos de livros e leituras de textos, houve uma oficina de narrativas breves com Marcelino Freire. Tive oportunidade de conversar um pouco com o escritor, já pretendia apresentá-lo aqui no Sararau e no quente dia 17 o encontro foi feliz.  </p>
<p>Tenho lido alguns escritores brasileiros contemporâneos e, sem sombra de dúvida, Marcelino Freire é um destaque entre tantas linguagens e estilos da nova geração. Seus <em>Contos negreiros </em>me prenderam desde o primeiro instante, levei-os para a sala de aula, para as rodas com amigos, e a cada leitura crescia o impacto da linguagem direta, da pontuação cotidiana, do silêncio significante. Como pequenos socos no estômago que, em uma seqüência permanente, machucam pra valer, os contos são curtos, grossos e cantam em tom irônico-mordaz histórias de um Brasil nada heróico. <em>&#8220;Brasil, do meu amor. Terra de nosso sinhô.&#8221;</em> são os versos da epígrafe. Logo depois, na apresentação do livro, Xico Sá avisa: &#8220;É doce, mas não é mole não&#8221;.</p>
<p>Marcelino Freire é pernambucano, tem 41 anos e desde os 23 vive em São Paulo, onde se diz um &#8220;estrangeiro&#8221;. Com a obra <em>Contos negreiros</em>, publicada em 2005 pela Record, ganhou o prêmio Jabuti de literatura na categoria contos. <em>Angu de Sangue </em>(2000) e <em>Balé Ralé </em>(2003),<em> </em>pela Ateliê Editorial, e seu mais recente <em>Rasif &#8211; Mar que arrebenta </em>(2008), pela Record, são outros livros do gênero eleito pelo escritor. Os títulos sugestivos apontam uma marca de Marcelino: escrever a partir de experiências de seu local de origem, colocando em cena personagens e histórias marcados pela exclusão. No nosso bate papo, Marcelino explica que <em>Racif </em>é a origem árabe do nome Recife e que Pernambuco significa &#8220;mar que arrebenta&#8221;, em tupi-guarani. Suas narrativas nascem exatamente daí.</p>
<p style="text-align: left;"><img style="float: left; margin: 10px;" src="http://www.sararau.com.br/wp-content/uploads/2009/01/8501072567.jpg" alt="" width="136" height="203" />Histórias que acrescentam, vale lembrar, ao debate sobre a aplicação da lei 10639. <em>Contos negreiros, </em>por exemplo, é uma obra que se insere em um projeto de ensino em diferentes níveis. Cabe ao professor conhecer o material para melhor utilizá-lo.. ..O blog do escritor é um excelente espaço para se obter outras informações: <a href="http://www.eraodito.blogspot.com">www.eraodito.blogspot.com</a></p>
<p style="text-align: left;">..No evento do Odeon, Marcelino leu o conto &#8220;Trabalhadores do Brasil&#8221;, que transcrevo abaixo. Faço uma sugestão: leia-o mais de uma vez, principalmente em voz alta.. Perceba o discurso, as ambiguidades, as possibilidades de leitura.. É realmente &#8221;mar que arrebenta&#8221;..</p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&#8220;Enquanto Zumbi trabalha cortando cana na zona da mata pernambucana Olorô-Quê vende carne de segunda a segunda ninguém vive aqui com a bunda preta pra cima tá me ouvindo bem?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Enquanto a gente dança no bico da garrafinha Ode trabalha de segurança pega ladrão que não respeita quem ganha o pão que o Tição amassou honestamente enquanto Obatalá faz serviço pra muita gente que não levanta um saco de cimento ta me ouvindo bem?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Enquanto Olorum trabalha como cobrador de ônibus naquele transe infernal de trânsito Ossonhe sonha com um novo amor pra ganhar 1 passe ou 2 na praça turbulenta do Pelô fazendo sexo oral anal seja lá com quem for ta me ouvindo bem?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Enquanto Rainha Quelé limpa fossa de banheiro Sambongo bungo na lama e isso parece que dá grana porque o povo se junta e aplaude Sambongo na merda pulando de cima da ponte ta me ouvindo bem?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hein seu branco safado?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ninguém aqui é escravo de ninguém.&#8221;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">______</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 9px;">Foto: Claudia Fabiana</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Resenha de &#8220;O racismo explicado aos meus filhos&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jan 2009 01:26:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Claudia Fabiana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dicas Culturais]]></category>
		<category><![CDATA[Colaboradores]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Anderson Xavier
(O Sararau recebe mais um colaborador de peso, o professor Anderson Xavier, Mestre em Literatura Brasileira pela UFRJ. Neste primeiro texto, ele nos traz uma resenha do livro O racismo explicado aos meus filhos, de Nei Lopes, publicado em 2007 pela editora Agir.)
 
Como este é meu primeiro escrito destinado a fazer parte do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="font-size: 12px; font-weight: bold;">Por Anderson Xavier<br />
(O Sararau recebe mais um colaborador de peso, o professor Anderson Xavier, Mestre em Literatura Brasileira pela UFRJ. Neste primeiro texto, ele nos traz uma resenha do livro <em>O racismo explicado aos meus filhos, </em>de Nei Lopes, publicado em 2007 pela editora Agir.)</p>
<p> </p>
<p><img style="float: right; margin: 10px;" src="http://www.sararau.com.br/wp-content/uploads/2009/01/racismo-neilopes.jpg" alt="" width="135" height="214" />Como este é meu primeiro escrito destinado a fazer parte do <em>Sararau</em>, seguirei o conselho de Dona Ivone Lara e vou &#8220;pisar neste chão devagarinho&#8221;. Este texto não é especificamente acerca da literatura africana, contudo creio acertar a veia desse movimento acadêmico-artístico-internético.</p>
<p>Trataremos aqui de <em>O racismo explicado aos meus filhos</em>, de Nei Lopes. Isso posto, contemplamos o feliz neologismo &#8220;sararau&#8221;, pois trazemos à baila um compositor e escritor de mão cheia, que faz jus à palavra sarau; e, por ser um estudioso dos insumos culturais oriundos do continente africano, nos deixa à vontade para dispormos do vocábulo &#8220;sarará&#8221;, segundo a música, imanente a todo brasileiro de sangue crioulo.</p>
<p>É sabido que toda análise resulta em dívidas para com o analisado. Conosco não será diferente, porém nosso intuito é iluminar um consistente trabalho de investigação de nossas raízes e problemas. Por meio de um romance-ensaio, Nei Lopes faz um levantamento acerca da origem das diversas formas de manifestação racista, focando principalmente aquela que vitimiza o negro.O núcleo do livro é a família do historiador Paulão (negro) e da Doutora Lia (judia). O casal tem dois filhos, brancos como a mãe, apresentando traços étnicos do pai, sendo assim sararás. O enredo se concentra em diálogos travados entre os membros dessa família, nascidos das experiências de cada um.</p>
<p>As conversas são comandadas quase sempre pelo professor Paulão que faz verdadeiras palestras, enriquecendo o conteúdo do texto. No entanto, se pensarmos a construção de um romance, constataremos que as conversas tateiam o inverossímil, quando consideramos os temas abordados e o modo como são travados tais diálogos.</p>
<p>Se encaramos o livro como um ensaio acerca da existência humana e uma de suas mais delicadas questões, o racismo, perceberemos um texto refinado e com uma preocupação ética que deveria fazer parte não só das palestras de Paulão, mas de toda e qualquer assembléia, seja futebolística, política ou sambista.</p>
<p>O livro é composto por 16 capítulos que abordam desde o criticismo ao &#8220;racismo cientifico&#8221; do século XIX até uma das polêmicas do século XXI: &#8220;a questão das cotas&#8221;. Nei Lopes faz crítica e literatura em um projeto eticamente eficaz e eficiente, com algumas dívidas estéticas.</p>
<p><em>O racismo explicado aos meus filhos</em> pode apresentar problemas estéticos, contudo presta um serviço incomensurável ao povo brasileiro. Pela composição pluriétnica da família de Paulão, podemos percebê-la como um retrato do Brasil. Sendo assim, o professor explica a todos nós, brasileiros (seus filhos), a dor que é o racismo. Por meio da investigação das origens das questões étnicas, Nei Lopes nos oferece um significativo cabedal de informações sobre nossa gente, de modo genuíno e verdadeiro.</p>
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		<title>Conceição Evaristo e seus muitos movimentos</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Nov 2008 00:19:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Claudia Fabiana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dicas Culturais]]></category>
		<category><![CDATA[Estórias e Escritores]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Afro-brasileira]]></category>

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		<description><![CDATA[A escritora Conceição Evaristo lançou dia 30 de outubro seu mais recente livro Poemas da recordação e outros movimentos, na livraria Kitabu, no Rio de Janeiro.
Conceição desde 1990 &#8211; quando publicou pela primeira vez nos Cadernos Negros, antologia que há 30 anos divulga trabalhos de escritores afro-brasileiros &#8211; vem marcando sua presença na cena literária [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><img class="size-medium wp-image-40" title="img_1528" src="http://www.sararau.com.br/wp-content/uploads/2008/11/img_1528-225x300.jpg" alt="" hspace="10" vspace="10" width="225" height="300" align="right" />A escritora Conceição Evaristo lançou dia 30 de outubro seu mais recente livro <strong>Poemas da recordação e outros movimentos</strong>, na livraria Kitabu, no Rio de Janeiro.</p>
<p>Conceição desde 1990 &#8211; quando publicou pela primeira vez nos Cadernos Negros, antologia que há 30 anos divulga trabalhos de escritores afro-brasileiros &#8211; vem marcando sua presença na cena literária brasileira. Com movimentos delicados, mas também fortes e certeiros, enfrentou inúmeros desafios para levar sua voz a público e fazer ecoar vozes de afro-descendentes em luta por relações mais justas e igualitárias. Na noite da última quinta-feira, a poeta lembrou o trabalho de resistência de editoras como a Mazza e a Nandyala, com a publicação de literatura e cultura afro-brasileiras, e de livrarias como a Kitabu, especializada em livros sobre as questões africanas. Quando publicou <em>Ponciá Vicêncio</em>, conta que foi pessoalmente à livraria da Travessa e deixou lá alguns exemplares que sequer foram catalogados. Hoje a obra está traduzida para o inglês, é objeto de estudo em muitas academias e está na lista de leituras obrigatórias para vestibulares de várias universidades brasileiras.</p>
<p>Os <em>Poemas da recordação</em> da mineira com nome da santa que sincretiza com Oxum trazem movimentos de águas novas e antigas. Desde aquelas que trouxeram para o Brasil alguns séculos atrás mulheres e homens africanos, às que fortalecem e geram vida, como as águas de Ainá, sua filha. São ecos de uma memória afluente, que desagua em rios caudalosos, cheios de experiências de amor e de dor.</p>
<p><span id="more-39"></span></p>
<p>Deixo alguns poemas aqui e outros na seção Sararau, para que o gosto fique na boca e aumente o desejo de conhecer melhor a obra da encantadora Conceição Evaristo.</p>
<p><strong>Recordar é preciso</strong></p>
<p>O mar vagueia onduloso sob os meus pensamentos<br />
A memória bravia lança o leme:<br />
Recordar é preciso.<br />
O movimento vaivém nas águas-lembranças<br />
dos meus marejados olhos transborda-me a vida,<br />
salgando-me o rosto e o gosto.<br />
Sou eternamente náufraga,<br />
mas os fundos oceanos não me amedrontam<br />
e nem me imobilizam.<br />
Uma paixão profunda é a bóia que me emerge.<br />
Sei que o mistério subsiste além das águas.</p>
<p><strong>Eu-Mulher</strong></p>
<p>Uma gota de leite<br />
me escorre entre os seios.<br />
Uma mancha de sangue<br />
me enfeita entre as pernas.<br />
Meia palavra mordida<br />
me foge da boca.<br />
Vagos desejos insinuam esperanças.</p>
<p>Eu-mulher em rios vermelhos<br />
inauguro a vida.<br />
Em baixa voz<br />
violento os tímpanos do mundo.<br />
Antevejo.<br />
Antecipo.<br />
Antes-vivo</p>
<p>Antes – agora – o que há de vir.<br />
Eu fêmea-matriz.<br />
Eu força-motriz.<br />
Eu-mulher<br />
abrigo da semente<br />
moto-contínuo<br />
do mundo.</p>
<p>Conceição Evaristo. <em>Poemas da recordação e outros movimentos</em>. Belo Horizonte: Nandyala, 2008.</p>
<p>Para comprar o livro:<br />
no Rio de Janeiro – Kitabu Livraria (Rua Joaquim Silva, 17, Lapa; <a href="http://kitabulivraria.wordpress.com">http://kitabulivraria.wordpress.com</a> )<br />
em Belo Horizonte &#8211; Nandyala Livraria (Av. do Contorno, 6000, Savassi; <a href="mailto:nandyala@nandyalalivros.com.br">nandyala@nandyalalivros.com.br</a> )</p>
<p>_________<br />
<span style="font-size: 10px;">Foto: Claudia Fabiana</span></p>
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