Por Simone Ribeiro da Conceição

Luz, câmera e a ação de uma mega estrutura técnica conectam o mundo com imagens da posse de Obama.
A transmissão concretiza o “we can”. Nós podemos estar lá, tomar posse e viver a emoção de um evento simbólico para a diáspora negra e para a afirmação do respeito à diversidade.
Temperatura e expectativas negativas não afugentam a multidão que se acumula em Washington. Animada, a massa toma posse do local. Em todas as partes do mundo, transmissões são anunciadas. Elas são ingresso para que uma multidão incalculável participe da cerimônia como platéia virtual.
Assistimos hoje a uma representação. Como sociedades do simulacro, a representação nos fascina. Digitalizada, plasmada e ampliada nos telões consumidos pelos mais ávidos, as imagens de cada etapa da posse do novo presidente dos Estados Unidos registram o ineditismo dos passos negros em direção à Casa Branca.
A magia da técnica está em nos permitir compartilhar essa caminhada e tomar como nossa a sensação da posse. A experiência de, enquanto negros, experimentar reconhecer-se na imagem. Experienciar a identificação com os protagonistas. Envaidecer com a beleza, o talento e a competência, até aqui demonstrada pelo casal Obama.
O show da posse é um show da técnica. Nas horas que aproximam o futuro presidente dos futuros problemas, o circo high-tech descontrai a audiência e faz esquecer o pão ou as dificuldades em ter um trabalho para obter esse e outros alimentos do corpo e da alma.
A cultura do espetáculo transforma os eventos em espetáculo. A diferença na próxima atração é que há muita emoção no ar. Não precisaremos de cristais, a técnica e reprodutibilidade técnica nos apresentarão as imagens que nos trarão reflexões e inevitáveis lágrimas. Filmadas e fotografadas, as imagens da posse servirão ao futuro como memória de um momento de união de todos em torno da representação de um evento que confirma que podemos mudar. E porque não crer que podemos melhorar?!
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Foto: Claudia Fabiana
Bem, eu sei que posso ser suspeita….. mas eu adorei!!! A Simone é uma pessoa muito inspirada!!! E sempre o foi. É com imenso prazer, que leio um texto elaborado por ela. Tenho certteza que é apenas o início de um bela trajetória, na qual os agraciados seremos nós: o público leitor. Parabéns!!!
Pois é, Si, a parada é dura.
A situação nao é nova, mas a sua descriçao desse climax high-tech nos faz ver que vivemos em um tempo em que nao podemos mais, em hipotese alguma, jogar fora toda a agua da bacia, temos que salvar algumas porçoes, temos que ir separando o joio do trigo a medida que vamos crescendo/amadurecendo e mesmo melhorando, como vc bem coloca. E se permitir a essa melhora implicará tb em abrirmos mao do cinismo barato que tenho visto nas discussoes acerca do fenomeno Obama. Por isso gostei tanto do seu texto: palavras de quem tem um olho no padre e o outro na missa, sem perder a fé/ternura.
Bjs