No último dia da Fliporto conversei um pouco com o escritor Tony Tcheka, um dos grandes nomes da literatura guineense. Tony Tcheka, de 56 anos, é um dos poetas que participa da primeira publicação de poesia na Guiné-Bissau, em 1976, em uma antologia intitulada “Mantenhas para quem luta”. Junto com mais 12 poetas, chamados por Mário Pinto de Andrade de “meninos da hora de Pindjiguiti”, faz naquele momento uma poesia engajada, ligada à independência da Guiné-Bissau em 1975. Foi um dos fundadores da UNAE – União dos Escritores da Guiné-Bissau, também é jornalista e agitador cultural.
Tony Tcheka me fala do problema da falta de política editorial no seu país. “Em uma sociedade onde tudo é prioritário, a cultura fica na segunda margem”, diz ele. Daí a reunião de escritores em antologias. Ele participa de várias, entre elas Momentos primeiros de construção (1978), Poesia moderna guineense, Eco do Pranto (1992), Barkafon di Poesia na Kriol (1996). Eco do pranto traz uma temática sobre a criança, ele conta. Já a Poesia moderna guineense marca um outro período, de ruptura com o sistema. Surgem grandes nomes depois da década de 80, como Abdulai Silá, Odete Semedo e Jorge Cabral. Tony Tcheka publica seu primeiro livro individual em 1996, Noites de insónia na terra adormecida, pelo INEP, Instituto Nacional de Estudo e Pesquisa, na coleção Kebur.
Os escritores enfrentam os desafios da publicação e outras barreiras, mas na Guiné-Bissau a cultura da oralidade é uma aliada e “o escritor escreve e publica todos os dias”, conta Tony. Há lá o djunbai, espaço de encontro, acrescenta. Embaixo de um baobá, diferentes pessoas se reúnem constantemente para contar estórias, ler versos, cantar e sorrir, em um convívio amistoso.
Por fim, preciso ressaltar o trabalho da professora Moema Parente Augel, que esteve presente no evento e me apresentou ao Tony Tcheka. Ela se dedica há muito tempo ao estudo das literaturas guineense e afro-brasileira, e, na ocasião, mais uma vez se mostrou empenhada na divulgação dessas literaturas. Para aqueles que começam a estudar a literatura da Guiné-Bissau, um bom texto da professora Moema é “Sol na Iardi – perspectivas otimistas para a literatura guineense”, disponível na internet: http://www.didinho.org/estudosepesquisas.html
Deixo um poema de Tony Tcheka, do seu mais recente livro Guiné sabura que dói (2008), pela UNEAS, União Nacional dos Escritores e Artistas de S. Tomé e Príncipe. Veja outros poemas também na seção Sararau.
Globalizado excluído
A
Carta
de
alforria
que
floriu
no templo
das proclamações
decretos
e
convênios
libertadores
murchou
desandou
como
a
flor
sahel
amnésica
ficou
sem
os
pergaminhos
globalizada
nos
grilhões
dos
novos
navios
negreiros
ressurge
sob formas
manhetas
manietada pelas
fronteiras farpadas
impostas por patriarcas ilusionistas
batutadores da escrita família
do comércio proteccionista de exclu$ão &
companhia Lda.
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Foto: Claudia Fabiana
Parabéns pelo seu fabuloso trabalho Sr.Tony.Continua assim ta,Guiné presisa de filhos e com esemplos como o Senhor.Nixon
parabens pelo seu trabalho!!
Ilustre, muito parabens pelo seu trabalho, a poesia é um monimento, por isso os guineenses tem que parar e cismar nela.