Já falei de inúmeros encontros na Fliporto, mas um deles foi realmente especial. Em uma das mesas de encerramento, a reunião dos moçambicanos Marcelino Santos, Luís Carlos Patraquim e Paulina Chiziane e dos angolanos Pepetela, João Melo e Amélia Dalomba foi emocionante. Com um moderador competente, o professor Patrick Chabal, da King´s College London, a conversa destacou aproximações entre as literaturas angolana e moçambicana e homenagens especiais a Marcelino Santos e Pepetela. Na verdade, mais uma vez por conta do tempo, os escritores versaram sobre uma única questão: “Qual é o papel da literatura?”

Marcelino Santos lembrou de José Craveirinha e disse que os moçambicanos vêm “de uma nação que ainda não existe”. Leu, então, seu poema “É preciso plantar” (na íntegra na seção Sararau).
Pepetela recorda a geração de Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Viriato da Cruz, Antonio Jacinto, Marcelino, “aqueles que inventaram essa coisa de libertação nacional”.
Paulina Chiziane também volta à Craveirinha e à poesia que transformou algo nela. “A literatura da geração de Craveirinha e Marcelino Santos fizeram a mim”, diz. E continua: “Eles colocaram a pedra do edifício da nação. Foi aí que pensei que deveria falar do que há no interior das casas, dos relacionamentos humanos.” Sobre o papel da sua literatura fala com sabedoria: “Só se conhece a altura da palma depois que morre. Talvez, quando eu cair, alguém diga ‘a literatura dela serviu pra isso’ “.
Para Patraquim, Mayombe, de Pepetela, foi sua obra de referência. A narrativa o fez pensar melhor sobre a luta pelas independências porque falava de dentro dela. “A literatura teve um papel fundamental nas consciências nacionais. E o processo ainda não acabou. Agora são outras lutas e a poesia continua a ser de combate”, afirma o poeta.
Amélia Dalombe também fala de Mayombe e diz que “sonhava um dia ser Ondina”. Queria ser capaz de caminhar com suas próprias pernas e que seus sentimentos se colocassem em causa. “A literatura lado a lado com todas as outras formas de luta é a grande impulsionadora da nossa liberdade”, conclui.
Por fim, João Melo destaca que o papel da literatura muda com as mudanças, sociais, políticas, culturais. Faz uma crítica à falsa idéia de que faltava à literatura engajada uma depuração formal e estética. “A poesia revolucionária exige uma estética revolucionária”, afirma. O primeiro contato que teve com a poesia foi com a Antologia da poesia negra de expressão portuguesa, organizada por Mário Pinto de Andrade. Para ele, é preciso lembrar que a literatura é sobretudo linguagem e “não se pode perder a ligação com a realidade”.

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Fotos: Claudia Fabiana
Oi, Claudia Fabiana! Tudo bem?
Fiquei feliz por encontrar no seu espaço, suas impressões sobre a Fliporto. Ainda não li todos os posts, farei-o em breve.
Seu blog está ótimo!
Abraços,
Ricardo Riso
Ricardo,
estou feliz com mais esse movimento. Nosso trabalho é constante para a divulgação das literaturas africanas. Você também está de parabéns.
Se puder, divulgue a entrevista com o Pepetela sobre o livro novo, O quase fim do mundo.
Grande abraço e vamos manter o contato.
Claudia Fabiana.