A Fliporto promoveu encontros e desencontros entre os dias 6 e 9 de novembro. Se por um lado a circulação de inúmeros escritores brasileiros, africanos, latino-americanos e a presença de professores e pesquisadores da literatura contribuíram para uma série de diálogos e intercâmbios, principalmente nos bastidores, a ausência de um público maior de estudantes e comunidade locais esvaziou a festa. As sessões simultâneas também foram um problema. Além disso, com o tempo curtíssimo para cada participante e a presença de moderadores muitas vezes despreparados, o público precisou de disposição e paciência para acompanhar a programação.
Aliás, foi impossível acompanhar tudo. No dia 7, por exemplo, na mesma hora que Paulina Chiziane e Patraquim conversavam, a literatura de São Tomé e Príncipe era apresentada pela professora Margarida Paredes, da Universidade de Lisboa, com a participação de Ondjaki lendo poemas de Conceição Lima. A poeta foi homenageada junto com a pesquisadora Inocência Mata, duas são-tomenses que refletem sobre o universo sócio-cultural do arquipélago. Conceição Lima nasceu em Santana, em 1961, e tem dois livros de poesia publicados pela Editorial Caminho: O útero da casa (2004) e A dolorosa raiz do micondó (2006). Veja na seção Sararau o poema “A casa”, de Conceição Lima, lido na ocasião.
Ainda na sexta-feira, apesar dos desencontros dos moderadores de uma das mesas mais esperadas do evento – Agualusa, Ondjaki e Pepetela – foi bonita a homenagem da filha de Solano Trindade, Raquel Trindade, ao centenário do poeta, com a fala emocionada do poema “Tem gente com fome”. Uma pena eu não ter gravado esse momento, merecia ser ouvido por todos, inúmeras vezes. Mas deixo o poema também lá na roda/página Sararau.
A homenagem a Solano se estendeu no sábado, quando outras vozes quilombolas se juntaram. Em especial a de Conceição Evaristo. A mineira foi uma das poucas representantes da literatura afro-brasileira na Fliporto. Ao lado de Paulina Chiziane, nos lembra que precisamos cada vez mais de encontros entre África e Brasil.

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Foto: Claudia Fabiana
Olá, Professora!
Gostei muito do seu blog! É um raro exemplo de uma página virtual de qualidade. Também gostei muito do seu texto sobre a Fliporto, é lindo! Meus parabéns! SUCESSO!!!
Prezada Claudia,
deixo aqui os meus agradecimentos, não só pelas matérias referentes ao Poema da Recordação e outros movimentos, como também por sua ida ao lançamento. Muito boa a sua matéria sobre a FLIPORTO. Foi ótimo o nosso reencontro, foi a minha primeira vez em Porto das Galinhas, o convite que pegou de surpresa. E me emocionei muitíssimo com os escritores africanos. Assisti o tempo novo se amalgamando ao velho, Marcelino e Ondjaki. Suprema a imagem do Velho, vivificante a figura do Novo. Justa homenagem a Solano, só desejei mais e mais tempo para um infinito tributo ao Poeta do Povo, ao Poeta da casa. Tudo me emocionava. Tudo se misturava, de ancestrais nossos presentes na cidade ao desejo da vitória de Obama. Dos textos literários aos seus criadores, dos críticos aos seus estudos norteadores para quem quer se aprofundar na riqueza das literaturas africanas. Em Porto das Galinhas, lugar tão simbólico para todos e particularmente para os afro-brasileiros, recebi da vida o prazer e a honra de conhecer pessoalmente Paulina Chiziane, “alma gêmea do Atlântico” e que ficou lá do outro lado do oceano. (estou plagiando parte da dedicatória que ele me escreveu, ao me oferecer O alegre Canto da Perdiz). Reencontrei Margarida Paredes, a que irmã se tornou, pela assunção das lutas angolanas. E lá estava você atenciosa, laboriosa colhendo a matéria, o sumo de seu blog. Claudia, reitero os meus agradecimentos, deixo as minhas felicitações. E não posso deixar de repetir, o que ouvi de uma personagem de uma peça de Hilton Cobra: “Palavra de mulher tem Axé!”, avante Claudia, o caminho é seu. Abraços, abraços,
Conceição Evaristo
Fiz na ocasião desse comentário/carta agradecimentos a Conceição pessoalmente e via email. Hoje, mais uma vez ouvindo sua voz deixada aqui no Sararau meus olhos sorriem e vibram com as palavras de axé. Salve, salve, Conceição.. e já já encaminho a todos os seus votos poéticos de natais mais harmoniosos e solidários..
Um abraço largo e fraterno……
Você é uma simpatia. Simplicidade é o que admiro mais no ser humano, e você tem de sobra.
Tive a oportunidade de estar presente numa palestra sua, na minha sala de aula na UFMG, na aula da Professora Iris Amâncio. Que bom foi aquele momento com você.
Abraços e muito sucesso para você!
Elci Carlos.